Turn and move forward
Ilustrando o igualmente fantástico momento de mudanças e perspectivas novas. Os 2 relatórios surreais que produzi pela minha experiência nos 2 primeiros encontros da minha especialização na SBDG ( http://www.sbdg.org.br ):
Iniciação aos mares secretos
Começar é sempre uma tarefa estranha, não se sabe o resultado e no caso em questão não se sabe o processo, o caminho a seguir. A falta de referência quando eu estava em alto-mar era aterrorizante, exercia um poder supra-humano nos fios da minha trama de experiência, quando eu me dei conta, como acordando de um casulo marítimo, não havia nenhum sinal de terra a vista em que eu pudesse estimar segurança.
O ‘ruído rosa’ das ondas era minha única companhia, ao mesmo tempo em que o silêncio de todos os que estavam presentes se manifestava. Muitas sombras dentro do mar ameaçavam, vez por outra, avançar em meus frágeis pés sem referência.
Sinais distantes mudavam a rota da maré e ampliavam minha percepção, de que o mar e o mistério do coletivo, foram só as primeiras evidências de que eu teria que conviver com meus personagens em uma jornada ao mesmo tempo solitária e incondicionalmente acompanhada.
A compaixão de Netuno vinha da comunicação sem palavras, a complementação entre eu e o mar foi gradual e surgiu fora do domínio da complexidade e da lógica. Quanto menos eu me dava conta da separação entre eu e o mar, mais as escamas e guelras faziam sentido. Aproximei-me de um cardume eclético, primeiramente me acomodando e respirando um pouco melhor no fundo do oceano.
Três seres, com as mesmas modificações estranhas, sentaram-se ao meu lado e abriram os olhos um de cada vez, enfim surgiram mais deles. Agindo como um só, abriram uma porta que estava suspensa pelo fluxo oceânico. Depois dessa porta, outra surgiu e assim consequentemente até se perder a conta, e quando tudo fez mais sentido e as portas se acabaram, todos formaram um só cenário rico em possibilidades, sem um rosto definido, porém assombrosamente magnífico.
A viagem sem volta se impunha, e não permitia nem prometia nada além de uma grande rota de vertigens necessárias até a volta ao início, mas possuindo então uma visão capaz de mudanças no que diz respeito a este e a outros mares secretos.
A reserva evolutiva e outros reinos
A órbita de acontecimentos que foi gerada surgiu entre os integrantes do organismo como um grunhido de aviso, esperava-se outra borboleta de animação sobrevoando as jibóias.
O sentimento vindo das entranhas completava um ciclo digestivo de experiências que não eram negativas, mas estavam causando uma indigestão forte por serem desmesuradamente engolidas. A natureza teve de resolver a situação insustentável quando a jibóia engoliu por acidente uma pedra, provendo assim entre as árvores um antiácido poderoso que dissolveu a pedra. Mas o efeito farmacêutico deste item foi além e adicionou membros locomotores à jibóia para que a mesma deixasse de rastejar e assim fosse mais seletiva em sua alimentação dentro da reserva ambiental forjada, que no começo parecia mais um zoológico.
Para que os animais se desenvolvessem, a reserva começava a se expandir por pura necessidade nesta terceira etapa de existência. Essa expansão parecia à fauna que avançava na medida em que surgiam acordos políticos nos sentimentos, o que era apenas metade da verdade.
Certas concordâncias, entre os importantes e agora antropomórficos animais, se baseavam em discordâncias sobre a direção da migração: alvos albatrozes olhavam para as mudas montanhas que se projetavam solitárias no cenário, enquanto linces curiosos se entregavam aos mistérios da planície e das cavernas esparsas de um mundo antigo, e por fim havia macacos ousados que eram desafiados pela floresta e pela sua própria ousadia em ocupar espaços vazios com energia vital. No final de algo que mais parecia uma sessão plenária, alguns adotaram uma perspectiva mais aguçada, outros criaram asas calmas e com a ajuda de braços alongados ninguém mais olhava indiferente para qualquer árvore.
Os segmentos de confiabilidade perante toda esta estranheza animal foram ficando mais claros através de padrões hierárquicos de identificação geracional e principalmente de compensação entre estilos estereotipados. Estava armada a gaiola, a armadilha da expansão do espaço comum, afinal, os riscos de se estar em um ambiente selvagem depende da sua opção pela busca. Qualquer um que ousa está disponibilizando sua vida aos caçadores, mas também à ampliação de seu tino de sobrevivência, e a malícia surge como a lótus quando chegam ao pântano do limiar.
Permissividade às falhas ou às vantagens ocultas descrevia o anúncio de um novo lugar, que fez o pântano se tornar gradativamente um jardim que inspirava entusiasmo nos novos papéis e demarcava o limite de um reino novo, onde os animais ocupavam características de sociabilidade funcional humana.
Composta a vista por estradas imaginativamente concretas e muralhas lúdicas, humanos vívidos de significado os animais eram afinal, e um rei unanimemente justo se impunha.
Apesar de funções dúbias e de conotações claramente limitadoras, a maioria dos arquétipos de realeza foram aceitos como um canapé festivo, e o champanhe servido ajudava o alimento a descer garganta abaixo por meio de uma racionalização arbitrária, quando seu tempero se tornava muito exótico para encarar e tornando a descida ao estômago mais harmoniosa. No final das contas deve-se dar conta de pagar bastante champanhe para trazer euforia, mesmo que você só beba fiado em uma taverna. A realeza e seus peões fazem a hierarquia ditada pelas leis estranhas das estrelas, das profecias e dos deuses pagãos valerem a pena.
Pensando bem, acho que cada um trás sua cota de garrafas e no geral o preço do champanhe parece bem mais acessível do que comprar contrariedade. De qualquer forma a bandeira real caminha para um progresso visível de contato com reinos mais amplos.






